Jul 2nd, 2008
Design Thinking: Mais um braço Agile
Nesta semana eu e o Phillip Calçado compartilhamos uma coisa: nós lemos artigos numa revista fora do mundo de tecnologia (se é que existe isso hoje em dia) e achamos conceitos ágeis lá. Veja este post no blog gringo dele:
BigPharma Problems & Solutions: Have You Seen This Before?
Na edição brasileira da Harvard Business Review de junho/2008, Tim Brown escreveu um artigo apresentando o “Design Thinking”. Ao ler o artigo ví que Design Thinking é recheado de conceitos ágeis. Muito recheado! É praticamente uma abordagem ágil para a inovação em todas as esferas empresariais.
A abordagem de [Thomas] Edison é um dos primeiros exemplos do que hoje se chama design thinking - metodologia que imbui todo o espectro de atividades de inovação de um etos de concepção centrado no homem… Edison não era um cientista especializado num campo apenas - era, antes, um generalista com aguçado tino comercial. Em seu laboratório em Menlo Park, New Jersey, Edison se cercava de gente com talento para improviso e experimentação. Na prática, derrubou o mito do “inventor genial e solitário” ao criar uma abordagem de equipe à inovação.
Preste atenção nesta parte:
A idéia era justamente não corroborar hipóteses preconcebidas - mas ajudar o investigador a aprender algo a cada lance iterativo.
(grifo meu)

…as equipes de inovação exploraram soluções potenciais por meio de brainstorming e prototipagem rápida… Um teste com protótipos não precisa ser complexo e nem caro. Um protótipo deve consumir apenas a quantidade de tempo, esforço e investimento necessária à geração de um feedback útil a evolução da idéia - nada mais. Quanto mais “acabado” parecer um protótipo, menor a probabilidade de que seus criadores ouçam o feedback - e se valham dele.
Olha que engraçado! A HBR, uma revista tradicionalíssima, está dizendo que meus protótipos visuais estão certos! Quando aquele gerentinho metido torcer o nariz poderei falar: “- Você leu o artigo sobre Design Thinking na Harvard Business Review?”
…o que ocorreu na equipe de enfermagem da Kaiser não foi um avanço súbito e revolucionário, nem o estalo de um gênio - foi fruto do trabalho árduo realçado por um processo criativo de descoberta centrado no ser humano, seguido de ciclos iterativos de testes com protótipos e aperfeiçoamento.
Esta é a parte que mais gostei (comentários meus entre parênteses):
O melhor jeito de descrever o processo de design é metaforicamente (Beck?) - como um sistema de espaços, em vez de uma série predefinida de passos ordenados (Gantt?). Esses espaços delimitam tipos distintos de atividades correlatas que, juntas, formam o continuum da inovação. O Design Thinking pode parecer caótico para um marinheiro de primeira viagem (seu chefe?). Mas, no decorrer de um projeto, os participantes acabam entendendo que o processo faz sentido e produz resultados (um release?), ainda que sua arquitetura seja distinta do processo linear fundado em marcos intermediários característico de outras atividades empresariais.
Este parágrafo no artigo é uma das melhores definições que já ví a respeito da natureza de um processo de design. Desenvolver software é 100% design. Isso foi tão contundente pra mim que contactei o Tim Brown - o autor do artigo - perguntando se ele tinha sido influenciado pelas práticas do Agile Software Development. Veja a resposta dele entre outras coisas:
From: Tim Brown
Date: 2008/7/2
Subject: Re: Article about Design Thinking on Harvard Business Review
To: Rodrigo YoshimaHi Rodrigo,
It doesn’t surprise me to hear that software design shares many of the same characteristics as design thinking. You are right that there has not been a lot of interaction between these two communities other than through the computer human interaction folks where I think a lot of these same issues have been discussed.Thanks for making the link.
Best regards
TimOn 6/30/08 5:53 PM, “Rodrigo Yoshima”
wrote: > Hi Tim,
> I’ve just read your article about Design Thinking and I’m
> just very very curious about how you put Design Thinking
> pratices together. Design Thinking concepts are very close
> to Agile Software Development Practices. Have you ever
> heard about it? Take a look at www.agilemanifesto.org.
>
> I see that the values of the Agile Manifesto is our flag of
> Design Thinking on Software Development. 100% of the
> software construction is design. Agile Practices are:
>
> - Human centered / Focused on Team Work
> - Iterative / Cyclical / Feed-back based
> - Use a lot of Prototypes / Sketches
> - Empirical
>
> I guess that you can really benefit from the contents
> that our community have being studying for the last 20 years.
>
> Cheers.
>
> Rodrigo Yoshima
> ASPERCOM / MundoJava
Sim! Mais uma vez provamos que o futuro do mundo empresarial é empírico e pragmático. Mais uma vez está provado que rigidez e processos inflexíveis impedem a inovação. Quem só tem martelo na mão só vê pregos pela frente… e sai martelando tudo.
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É isso mesmo Rodrigão, está provado que os conceitos de Agile e Lean, podem ser aplicados aos mais diversos segmentos. Ouvi falar de médicos na Australia que faziam reuniões diárias de 15 minutos… (http://m.artins.net/agile-patient-diagnostic/)
Parabéns pelo Artigo!
Abraço
rodrigo,
Qqer edicao da hbr q vc pegue estara recheada de conceitos ageis. Sou assinante da revista a algum tempo e a considero a melhor referencia impressa hj para quem esta nesse meio. Nao eh por acaso q uma das fontes de origem do scrum, o artigo the new new…, foi uma publicacao da hbr.
Abracos!
Essa foi uma reviravolta bem grande. Eu lia bastante quando estava na universidade, mas naquela época não era a leitura agradável que é hoje. Naquela época ainda vivíamos a administração por números apenas!
Nessa mesma edição tem o artigo sobre as contradições da Toyota. Muito bom também.
Não sou tão fã a ponto de assinar, o ruim disso é que quando compro uma edição pago R$ 34. O revistinha cara!
[…] Logicamente usamos modelagem ágil para fazer isso. Fui muito influenciado pelos conceitos do Design Thinking neste trabalho, principalmente pensar no processo como um conjunto de “espaços” e não uma sequência de passos predeterminados. Usar vários “modelos” e usar os post-its para arranjar o conteúdo na disposição do poster foi determinante. Logicamente tivemos várias “versões” para escolher e depois de vários rascunhos em papel A4, decidimos o melhor. […]