Hierarquias são inteligentes nas “pontas”

Este texto foi publicado no blog do Carlos Vilella, achei tão bom que decidi traduzir.

[photopress:1185912575_74ae17c666_m.jpg,full,alignright]Uma fábrica de pastas de dente tinha um problema: as vezes eles entregavam caixas vazias, sem o tubo dentro. Isso ocorria por causa da maneira que a linha de produção foi montada, e pessoas com experiência em design de linhas de produção podem confirmar como é difícil ter tudo ocorrendo no tempo certo para que cada unidade fabricada seja 100% perfeita. Pequenas variações no ambiente (que por conta do custo não podem ser controladas) obrigam que você tenha alguns pontos de checagem da qualidade inteligentemente distribuídos ao longo da linha de produção, para que os consumidores que vão até o supermercado não fiquem fulos com seu produto e comprem do concorrente.

Compreendendo que isso era importante o CEO da fábrica de pasta de dente pegou as pessoas mais importantes da companhia e eles decidiram iniciar um novo projeto. Eles contratariam uma empresa de engenharia externa para solucionar o problema “das caixas vazias”, já que o departamento de engenharia já estava abarrotado de trabalho.

O projeto iniciou como sempre: orçamento, financiamento, propostas, fornecedores selecionados e depois de 6 meses (e $8 milhões) eles tiveram uma solução fantástica – dentro do prazo, do orçamento, alta qualidade e todo mundo no projeto estava feliz. Eles resolveram o problema usando algumas balanças de alta precisão que soava uma sirene com luzes toda vez que uma caixa de pasta de dente pesasse menos do que deveria. A linha de produção pararia e alguém teria que andar até lá, retirar a caixa com defeito e pressionar um botão para a produção continuar.

(neste momento, pense com seus botões se esta solução é plausível – grifo meu)

Momentos depois o CEO decide ver o ROI do projeto: resultados incríveis! Nenhuma outra caixa vazia saiu da fábrica depois que as balanças foram colocadas. As reclamações reduziram e eles estavam ganhando mercado. “Isso sim é um dinheiro bem gasto!” – ele falou, isso antes de olhar mais de perto outras estatísticas do relatório.

(mais uma vez, neste momento avalie o resultado do projeto – é uma solução de sucesso? – grifo meu)

Ao virar a página ele vê que o número de defeitos capturados pelas balanças foi ZERO depois de 3 semanas de uso. Poxa! Elas deveriam estar capturando pelo menos uma dúzia por dia, então, deve ter algum problema com o relatório. Ele apontou um bug nesta funcionalidade. Depois de alguma análise os engenheiros voltaram dizendo que o relatório estava correto. As balanças de fato não estavam mais captando nenhuma caixa vazia. Todas as caixas que estavam chegando no ponto onde as balanças estavam na esteira tinham o tubo dentro.

Confuso o CEO vai até a fábrica e chega até o lugar aonde as balanças de precisão foram instaladas. Alguns passos antes das balanças tinha um ventilador de $20 assoprando pra fora da linha as caixas vazias para dentro de uma lixeira.

“Ah… esse ventilador? Um dos nossos colocou ele aí, pois estava com o saco cheio de andar até aqui quando a sirene tocava” – disse um dos trabalhadores.

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rodrigoy

Instrutor e Consultor Sênior - ASPERCOM

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15 Comments

  • Danilo Carlos Avante

    Reply Reply 21/07/2008

    Heheh, caso típico de foco no problema ao invés de focar na solução.

    Como o caso da caneta para escrever no espaço.
    Sem gravidade a tinta da caneta não ia até a ponta.
    Os Americanos gastaram uma fortuna e desenvolveram uma caneta.
    Os Russos usaram lápis.

    []’s

  • Danilo, a historia da “caneta espacial” eh falsa:

    http://www.snopes.com/business/genius/spacepen.asp

    Ah, e valeu pela traducao, Rodrigo! 😉

  • Danilo Carlos Avante

    Reply Reply 22/07/2008

    Olá Carlos, sim é falsa, porém ela enfatiza muito bem este problema (real) de foco.

  • Cesar Brod

    Reply Reply 22/07/2008

    Nada a acrescentar neste artigo do Débito Técnico! Sensacional! Um de meus novos personagens, ainda por aparecer em minha Ficção Científica, terá por base esse tema! O Kazinski!

  • Marcelo Garcia

    Reply Reply 01/08/2008

    Essa história é simplesmente fantástica. Ilustra bem a mania de muita gente de fantasiar sobre problemas que muitas vezes possuem soluções tão simples e ao mesmo tempo brilhantes.
    Parabéns pelo post.

  • sérgio

    Reply Reply 28/05/2009

    A discussão no blog é bastante interessante para a compreensão e verificação que ainda possuímos uma população pensante nesse país.
    Casos e mais casos são relatados em empresas brasileiras que atuam com circulos de controle de qualidade e com programas de incentivo a implantação de idéias, infelizmente temos vistos apenas relatos de acontecimentos em empresas estrangeiras, porém deveriamos divulgar sucessos de participação dos trabalhadores do Brasil.
    Quem já trabalhou na antiga Companhia siderurgica tubarão hoje Arcelor, IBM do Brasil, companhia vale do Rio Doce e outras que incentivam a soluções, poderiam contribuir com idéias geniais dadas por simples empregados da produção.

  • alex

    Reply Reply 17/07/2012

    Pessoal, gostaria de saber se alguém sabe com que empresa aconteceu esse caso das caixas de pasta de dentte……Grato.

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